terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

CRISES DE ANSIEDADE, ATAQUES DE PÂNICO e TRANSTORNO PÓS TRAUMÁTICO



Após muitas emoções no primeiro semestre de 2017, percebi que algo estava estranho comigo.

Por causa da enfermidade que acometeu meu Digníssimo, fiquei muito tempo em casa com ele. Saí do emprego (porque escolhi cuidar dele -e não me arrependo), dispensei outros trabalhos para não deixá-lo sozinho (já que ele tentava sair da cadeira de rodas sozinho, caía e não podia levantar-se) e ia para igreja somente esporadicamente, quando algum familiar se disponibilizava para ficar em casa com ele.

Nesta época a igreja vinha até minha casa e era lindo. Algumas vezes o Digníssimo queria ir à igreja e vários irmãos se disponibilizavam para levá-lo com cadeira e tudo, nem que fosse para assistir metade do culto, já que ele não aguentava ficar muito tempo sentado.

E isso ia nos fortalecendo. Sou muito grata a Deus e à meus irmãos que nos ajudaram a servir a Deus.

Acontece que no meio de 2017 eu percebi que não conseguia mais cantar na igreja, falar em público e atender clientes eventuais.

Me dava um desespero, um pânico, parecia que eu ia morrer, dores físicas e o coração disparava. Em poucos dias eu não conseguia mais passar do portão de casa!

Na verdade as crises começaram antes. Quando meu pai ficou doente e gritava de dor, eu ficava assim, mas logo passava. Entretanto, agora era diferente.

Eu já não dormia, não podia ver ninguém e só de pensar que alguém poderia vir me visitar eu passava mal e ficava assim por horas seguidas. Não conseguia ver mensagem do whatsapp também pois me dava ataque de pânico de ouvir o celular apitar, mesmo sem saber do que se tratava.

Meu esposo me ajudava, ouvindo meus anseios (que eram sempre os mesmos), meus medos e atendendo as pessoas pessoalmente e na web por mim.

Com muito receio, resolvi procurar ajuda médica, mas por vergonha, não contei a ninguém. Mais uma vez estávamos meu esposo e eu em uma guerra secreta.

Fui ao médico e recebi o diagnóstico: Ansiedade, síndrome do pânico e transtorno pós traumático. Tratamento: Remédios e consultas com o psicólogo.

Comprei remédios caríssimos e não poderia parar de tomá-los durante 1 ano, para evitar recaídas. Comecei a conversar com a psicóloga, mas fiquei com a memória tão ruim que tinha que escrever todos os ataques de pânico, o motivo e os fatos da semana, porque eu esquecia tudo.

Tomei os remédios 2 semanas e fiquei muito assustada. Eu não conseguia completar minhas frases e parecia que eu estava perdendo o controle da minha mente. 

Me desesperei, porque eu tinha acabado de ganhar um curso que sempre foi meu sonho e eu não conseguia ler uma linha da apostila sem vomitar de "nervoso".

Resolvi fazer um teste e ler biografias, porque a leitura é mais fácil de gravar e fiquei de contar para a psicóloga o que tinha lido na próxima consulta.

Sempre amei ler e leio livros com muito prazer desde os meus 6 anos de idade.

Lembro que li 4 biografias naquela semana. Com muita atenção, entusiasmo e amando a história daquelas pessoas.
Quando cheguei na consulta, 4 dias depois do último livro, eu não sabia quais eram os títulos dos livros e não me lembrava de 90% das histórias daquelas pessoas (famosas!)

Minha mente apagava tudo. Fiquei arrasada.

Resolvi parar com os remédios e parei de ir nas consultas com a psicóloga (que eu gostei muito), porque eu não conseguia mais sair de casa para ir até lá. Parei de estudar porque não conseguia ler ou lembrar do que tinha lido.

Decisão arriscada.

Em poucos dias tive uma enorme piora e achei que ia morrer. Meu esposo passava as noites comigo na sala em desespero e quando ele cochilava eu o acordava porque parecia que eu ia morrer.

Meses difíceis eu passei. Nós passamos. Deus, meu esposo e eu.
Todos notavam que eu estava ausente e estranha, mas ninguém sabia o que era.

E em meio a esse sofrimento, meus Pastores vieram nos visitar e trazer a santa ceia em casa para nós, já que não tínhamos ido ao culto.

Eu pensei em contar meu caso e pedir ajuda a eles durante o dia todo e conversei sobre isso com meu esposo que me apoiou -como sempre, mas decidi não falar nada, por vergonha e medo de ser julgada... Besteira minha.

Mas quando eles chegaram com aquele "pacote de amor", fiquei tão constrangida que disse que precisava conversar. 

Sabe aquele amor que nos constrange? Meus pastores demonstram.

Meu esposo ficou com olhos brilhantes, crente que algo iria mudar.

E realmente mudou.

Esperei julgamento, chorei sem querer  e eles choraram comigo. 

Contei cada detalhe e eles me apoiaram em tudo.

Me deram conselhos práticos que nem médicos ou psicólogos conseguiram me passar.

Conselhos de como "brecar" os ataques de pânico, especialmente de madrugada.

Em poucos dias, eu fui melhorando. Se antes eu tinha uns 15 ataques de pânico por dia, passei a ter uns 3.

Mas ainda não conseguia sair de casa.

Dias após isso, recebi uma visita de 2 amigos/irmãos que oraram por mim. Minha amiga me disse que já tinha passado por isso e me contou como ela venceu.

Eu disse que ia vencer também e que eu queria muito voltar a cantar.

Crise de ansiedade a ataque de pânico são coisas muito difíceis. Dá medo de parecer louca e dá medo de estar ficando louca.
Estamos acostumados com doenças que saem em exames e que remédios controlam, mas quando me deparei com essa enfermidade na alma, eu não soube lidar.

Não queria acreditar que estava doente. Fiquei com medo de acharem que era espiritual. Fiquei com vergonha de demonstrar fraqueza e preocupar as pessoas. Tentei me esconder...

Depois que eu aceitei que era uma doença que desenvolvi devido à grande pressão e dificuldades dos anos anteriores e que precisava de ajuda (médica, espiritual, dos amigos, etc.) comecei a melhorar.

Resolvi enfrentar meus medos e ir à igreja depois de uns 2 meses sem aparecer. 
Queria enfrentar o pânico de estar no meio de muitas pessoas.

Ao chegar no portão de casa fiquei em pânico... passei mal e não conseguia passar do portão.
Minha irmã teve paciência e esperou eu melhorar. 

Fui em desespero e me chamaram para cantar no grupo. Não costumo perder oportunidades então fui lá na frente, infiltrada no meio do povo.

Não consegui olhar para frente, encarar as pessoas. Tive várias crises e tremedeira, especialmente ao fim do culto quando vieram me cumprimentar.

Mas aguentei firme, pois ninguém sabia da minha situação, somente os pastores e 3 amigas.

No dia seguinte eu decidi ir novamente ao culto, pois o trauma do dia anterior havia sido tão grande, que se eu não fosse, acho que nunca mais conseguiria ir.

Fui e foi um pouco melhor.

E assim estou vencendo dia após dia.

Ainda fico com um pouco de ansiedade às vezes, mas em 90% do tempo estou bem, graças ao bom Deus.

E assim vou retomando minha vida, meus projetos e meus sonhos.

Ah... e eu voltei a cantar!!!


PARA OUVIR E MEDITAR: MÚSICA: Canta que eu cuido 






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